O lendário Range Rover torna-se por fim 100% eléctrico após mais de 50 anos a prestar bons serviços na estrada e fora dela. O SUV assume uma verdadeira gama de tecnologias avançadas para fazer justiça ao seu passado de sucesso.
Mais silencioso e responsivo, e com um binário que supera qualquer outro Range Rover até à data, o primeiro modelo alimentado totalmente a electrões eleva ainda mais o seu ADN de luxo num dos visuais mais depurados da construtora britânica.
Proposto com 330 kW (449 cv) e 677 Nm, ou com 405 kW (551 cv) e 850 Nm, a bateria de 118,5 kWh líquidos promete uma autonomia até 600 quilómetros; as encomendas nacionais já estão abertas com um preço de partida de 165.963 euros.
Estética mantida por fora…
Não "importa" quanto tempo se espera, desde que o resultado final valha a pena. E tudo aponta para que o novíssimo Range Rover Electric assuma um poder na estrada superior ao do seu "irmão" V8 a gasolina.
Neste desafio a que a insígnia se auto-impôs, quase nada foi alterado em termos estéticos, pelo menos ao primeiro olhar, para não destoar das variantes híbridas e puramente a combustão.
A evolução muito discreta percebe-se no rearranjo da grelha frontal e no redesenho aerodinâmico das jantes de 22 polegadas em liga leve, com a carenagem na parte inferior a ajudar a baixar o consumo energética, principalmente em auto-estrada.
As dimensões são em tudo idênticas aos seus congéneres térmicos, para que o potencial comprador não tenha de decidir-se pela motorização segundo o tamanho dos congéneres a combustão.
O Short Wheel Base (SWB) tem 5,05 metros de comprimento por 1,87 de altura e 2,04 de largura, para uma distância entre eixos de três metros, enquanto o Long Wheel Base (LWB) estica-se aos 5,26 metros de comprimento e 3,20 entre os dois eixos.
… com habitáculo refinado
O habitáculo muito refinado tão pouco sofreu evoluções de monta, como se percebe no painel de instrumentos digital e no ecrã para o infoentretenimento.
A consola central comporta o selector de marchas e o botão arranque, assim como dois seletores giratórios para o volume do rádio e para os modos de condução off-road, com o volante de dois raios a contar com comandos hápticos.
Notável é o espaço a bordo proporcionado pela versão com chassis longo, a beneficiar os ocupantes que irão beneficiar dos dois bancos individuais.
E, no que à personalização diz respeito, tudo depende do que o futuro cliente quiser gastar, já que a lista de opções é tão extensa como a lista de presentes pedida ao Pai Natal.
Mesmo assim, destaca-se a aplicação de telemóvel para controlar o SUV por via remota, como purificar o habitáculo, activar o aquecimento do volante, verificar onde está estacionado, ou consultar a carga da bateria e a respectiva autonomia.
450 ou 550 cv às quatro rodas
A equipar o Range Rover Electric EV550 estão dois motores síncronos de imãs permanentes para 405 kW (551 cv) e 850 Nm passados às quatro rodas direccionais; anunciada está igualmente uma versão EV450 de 330 kW (449 cv) e 677 Nm.
Mesmo com os 2.800 quilos que pesa, é anunciada uma aceleração dos zero aos 100 km/hora nuns rápidos 4,3 segundos, com as recuperações dos 80 aos 120 km/hora a fazerem-se em 2,7 segundos.
A bateria NMC de 118,5 kWh "promete" uma autonomia combinada até 600 quilómetros, ou até 535 quilómetros em condições reais de condução segundo o que a marca avança.
Graças à arquitectura eléctrica de 800 volts, pode ser recarregada de dez a 80% em 22 minutos a uns máximos 350 kW DC, estando igualmente apta para recarregar até 22 kW em corrente alternada.
A actuação do recondicionamento ThermAssist optimiza a autonomia e a velocidade de recarregamento, assim como a vida útil da bateria e o desempenho em temperaturas extremas.
O sistema pode acrescentar mais 40 quilómetros de autonomia e reduzir em 40% o consumo de energia associado a esse sistema térmico.
Off-road ainda mais capaz
O Range Rover Electric mantém as capacidades off-road dos "irmãos" a gasolina, como confirma a capacidade de atravessar cursos de água a vau com 90 cm de profundidade.
Mesmo assim, a altura ao solo baixou para 26 cm, assim como o ângulo ventral para 22,3º, enquanto o ângulo de entrada se fixa nos 33,2º e o de saída nos 28,1º.
Além da gestão "inteligente" da transmissão na distribuição do binário traseiro, para evitar perda de motricidade, o sistema gestor de tracção, com uma resposta 100 vezes mais rápida do que o dos Range Rover a combustão, ajuda a condução fora do asfalto.
Capaz de detectar deslizamentos em 50 milissegundos, e de reagir em apenas um milissegundo, o sistema associado ao modo Single Pedal, permite arranques suaves em pendentes até 33 graus ou completar a subida em inclinações até 45 graus.
SWB ou LWB à escolha
As encomendas já estão abertas para os Range Rover Electric EV450 e EV550, nas variantes SWB e LWB com os acabamentos SE, HSE e Autobiography, bem como nos SV, SV Ultra e SV Black.
A gama dispõe ainda duma variante First Edition com acabamentos em Belgravia Green, Santorini Black ou Varesine Blue, e revestimentos interiores em Light Cloud Ultrafabrics PU e Kvadrat.
O serviço de personalização Range Rover Bespoke reforça a oferta com uma escolha alargada de cores e acabamentos praticamente ilimitados.
O EV450 tem um preço de partida de 165.973 euros no acabamento SE, com o EV550 a elevar a fasquia a partir dos 182.735 euros com o acabamento HSE.
Texto: P.R.S.
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